Vivencial Diversiones

Nome artístico: Vivencial Diversiones
Nome de registro: Grupo de Teatro Vivencial Ltda.
Nascimento: 1974 – Olinda, Bahia
Morte: 1983 – Olinda, Bahia

O grupo teatral Vivencial Diversiones nasceu em Olinda na década de 70 dentro de uma paróquia católica. Seu primeiro espetáculo, “Vivencial 1”, inaugurava a veia transgressora e contra-hegemônica do grupo, ao tratar de assuntos como homossexualidade, drogas e política, cuja repercussão provocou o rompimento dos monges da paróquia com o grupo. Sem recursos financeiros, o Vivencial transformava lixo em figurinos e materiais cênicos para seus espetáculos¹. Em 1979 fundaram o Café Teatro Vivencial Diversiones, que vivia lotado e expunha uma grande variedade do seu repertório artístico. Em 1983, por falta de investimento, conflitos internos e dissidências, fechou as portas do Café e nunca mais se apresentou. O Vivencial marcou a história do cabaré brasileiro, colocando em foco questões de gênero, sexualidade e política, em um momento de grande repressão da ditadura militar no país. Inspirou o filme “Tatuagem”(2003) e o espetáculo teatral “Cabaré Diversiones” (2015). Grupo de verdadeiros cabaretas irreverentes e marginalizados que ousaram enfrentar a repressão e diversas vezes sofreram represálias pela censura. Suas subjetividades eram a matéria prima de suas obras, e ecoam na cena expandida brasileira até hoje.

Pesquisa realizada por: Erika Bernardo (discente de Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)

Galeria de Fotos:

Fonte imagens: FARACHE, Ana. Vivencial: imagens do afeto em tempos de ousadia. Recife: Ed. Massangana, 2016

Links de vídeos:

(1) Opinião Pernambuco – 04/09/2013 (Grupo de Teatro Vivencial) – YouTube

Mais sobre a biografia do grupo:

Vejamos um pouco da rica trajetória do Vivencial Diversiones, com algumas curiosidades e pistas que o leitor pode seguir para saber mais sobre cada trabalho:

Em 1974 a montagem de “Genesíaco” foi apresentada em Olinda, no Mercado da Ribeira. Ainda no mesmo ano, os espetáculos “Madalena em Linha Reta”, “João Andrade em Conversa de Botequim” e o “Auto de Natal”.

No ano seguinte, 1975, o Vivencial apresentou o  espetáculo “O Pássaro Encantado da Gruta do Ubajara”,  dirigido por Guilherme Coelho, também no Mercado da Ribeira, com o qual participou do 1º Festival Estadual de Teatro de Recife, no espaço Nosso Teatro. E no mesmo ano estrearam no Auditório do Senac a peça “Nos Abismos da Pernambucália”. 

Em abril de 1976 apresentaram “Vivencial II”, no Teatro Bonsucesso, em Olinda, e na 1º Mostra de Teatro de Pernambuco, no Recife. Esta peça sofreu represálias da censura federal e teve muitas cenas cortadas. 

Já a montagem de “Sobrados e Mocambos”, adaptada da obra de Gilberto Freyre por Hermilo Borba Filho e que estreou no Nosso Teatro em janeiro de 1977, sofre o mesmo retalhamento por parte da censura federal. Com direção de Antonio Cadengue, neste mesmo ano, apresentaram “Viúva, porém Honesta” em uma sala da Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco.  

Em 1979, uma das montagens mais importantes do grupo: “Repúblicas Independentes, Darling”, construída a partir de textos de Carlos Drummond de Andrade, Carlos Eduardo Novaes e Luis Fernando Verissimo. Apresentada no Teatro Cacilda Becker no Rio de janeiro, impressionou a crítica nos jornais, com destaque para a coluna de Tânia Pacheco no “O Globo”. Neste ano o grupo viajou para São Paulo e Rio de Janeiro , participando do Projeto Mambembão, do Serviço Nacional de Teatro (SNT).  

Ainda em 1979, o grupo constrói o Café Teatro Vivencial Diversiones, localizado em um terreno de mangue na periferia de Olinda. A casa das “vivecas”, como eram apelidados os integrantes do grupo, vivia lotada, e tinha uma grande variedade de apresentações por noite. Dentre as montagens deste ano é importante destacar: “Bonecas Falando para o Mundo”, “Ensaios Espontâneos”, “A Loja da Democracia” e “Perna, pra que te quero?”.  

No início da década de 80 podemos destacar os espetáculos “Parabéns pra Você”, “Notícias Tropicais” e “Star Tapuias”, tendo esta última que finalizar sua temporada no Teatro de Santa Isabel e na própria sede do grupo por conta da censura federal. E é no próprio espaço que é estreado o “Manifesto Quá-Quá-Quá”.

Em 1981 o grupo faz uma homenagem a própria trajetória com o “Vivencial – Manifesto Sete Anos”. E nos anos subsequentes, até o fim do grupo, em 1983, tantas outras obras como: “Nós, mulheres”, “Em Cartaz, o Povo”, “Rolla Skate”, “Guerra das Estrelas”, “The Brazilian Tropical Super Star”, “Os filhos de Maria Sociedade”, “O Pastoral Culturil das Meninas do Brasil”, “Ôba Nana…Fruta do Meio”, “Assim É Peia” e “Mar e Cais”.

O grupo, com mais de 30 espetáculos no seu repertório teve o seu Café Teatro fechado no início de 1983, após muitos retalhamentos da censura, falta de investimento e conflitos internos. O Vivencial Diversiones provocava reações de todo tipo, com sua temática considerada subversiva, em uma época marcada pela repressão militar. Foi a escola de muitos artistas que não se enquadravam nas normas ditadas por uma sociedade baseada em valores transfóbicos, homofóbicos e machistas. Transformou tantas dificuldades em um tesouro artístico que brilha até hoje no horizonte do cabaré no Brasil.

Referências:

ARAÚJO, Matheus. Uma casa para o Vivencial Diversione, 2015. Diposnível em: 

<https://www.revistacontinente.com.br/edicoes/178/uma-casa-para-o-vivencial-diversiones> Acesso em: 19 de Jan. 2021  

Autor desconhecido. Hoje é dia de vivencial, 2011. Disponível em: 

<http://esquinadopeneira-holl.blogspot.com/2012/06/hoje-e-dia-de-vivencial.html> Acesso em 12 de Jan. 2021  

BARROS, Isabelle. Imagens afetivas do Vivencial são publicadas em livro nesta quinta, 2016. Disponível em: <https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2016/11/vivencial.html> Acesso em: 19 de Jan. 2021  

GRUPO de Teatro Vivencial. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: 

<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo514477/grupo-de-teatro-vivencial> Acesso em: 12 de Jan. 2021.  Verbete da Enciclopédia.  

SILVA, Girlane. Atuações e papéis femininos: o corpo a corpo da atriz no teatro pernambucano durante a ditadura militar. 2015 Disponível em: 

<https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/20249/1/AtuacoesPap%C3%A9isFemininos_Silva_201  5.pdf> Acesso em: 12 de Jan. 2021  

SANTOS, Rogério. Vivencial Diversiones: teatro como resistência e performance de gênero, 2018. Disponível em: <https://www.anais.ueg.br/index.php/seja/article/view/12124/9160 > Acesso em: 19 de Jan. 2021 

Henrique Celibi: Vivencial Diversiones