Marlene Dietrich

Nome Real: Marie Magdalene Dietrich
Nascimento: 27/12/ 1901
Morte: 06/05/1992

  A atriz, cantora e cabareta Marlene Dietrich é consagrada internacionalmente como uma das maiores atrizes do século XX. De indicada ao Oscar a inimiga da ditadura nazista, Dietrich foi capaz de moldar toda uma geração com sua autenticidade, presença, estética andrógena, talento, sensualidade e profissionalismo. Com mais de 55 anos de carreira, Dietrich deixou um vasto legado musical e cinematográfico, deixando os palcos apenas com 74 anos. Falar sobre esta cabareta é dissertar, principalmente, sobre força e empoderamento feminino, transgressão de valores e estéticas, e compromisso com o fazer artístico.

Pesquisa realizada por: João Victor Freire (Discente de teatro na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UNIRIO)

Vídeos: 

Marlene cantando “ Ich bin die fesche” , solo de sua personagem Lola em “O Anjo Azul”
https://www.youtube.com/watch?v=rIJA2afWfi0&list=PLe5k6mlATGr2y85dl9Y3wxp3pRhhkHUoA 

Marlene cantando o sucesso francês “La Vie en Rose”, em 1963 

Marlene cantando o sucesso francês “La Vie en Rose”, em 1963 

Mais sobre sua biografia: 

A atriz e cantora alemã Marlene Dietrich, é consagrada internacionalmente como uma das maiores atrizes do século XX, tendo deixado um legado de mais de 50 filmes para o cinema alemão. Essa estrela começou sua carreira ainda no cinema mudo e persistiu gravando até o final da década de 1970, recebendo, inclusive, uma indicação ao Oscar pelo filme “Marrocos”, dirigido por Josef von Sternberg. 

Marie Magdalena Dietrich nasceu em 27 de janeiro de 1901, filha de um militar prussiano, em uma cidade próxima a Berlim. Já na adolescência começou a estudar canto e música, o que lhe fora muito útil quando, posteriormente, começou a trabalhar em cabarés. No campo interpretativo, começou tendo aulas de teatro com Max Reinhardt e estreou no cinema com “Im Schatten des Glücks” (1919), filme esse que se tem poucas informações a respeito. Por isso, muitos consideram sua entrada de fato no cinema com “A Chave de Ouro” (1923), de Georg Jacob. 

A atriz já trabalhava no campo cinematográfico há onze anos quando conseguiu um de seus papéis de maior destaque e visibilidade: a cantora cabareta Lola Lola. O longa-metragem conta a história de um professor rígido e infeliz que, ao perceber que seus alunos deixaram de prestar atenção em suas aulas por estarem indo ao Cabaré “O Anjo Azul”, decide conhecer o mesmo. Acontece então um encontro de mundos: o moralismo do professor e a vulgaridade do cabaré. O Professor Rath, ao bater seus olhos em Lola, se apaixona perdidamente por ela. 

Quando foi descoberta por Sternberg na grande interpretação da sedutora Lola de “O Anjo Azul”, Marlene converteu-se em mulher fatal. Depois desse filme, foi contratada pela Paramount e conseguiu um alto salário. Seus filmes tornaram-se cada vez mais extravagantes e as tramas cada vez mais potentes, como “Marrocos” de 1930, “Desonrada” de 1931, “O expresso de Shangai” e “A Vênus loira”, de 1932. 

Em “Marrocos” (1930) acontece uma das primeiras referências à lesbianidade da história do cinema. Dirigido por Josef von Sternberg, o filme narra o romance entre um legionário francês Monsieur La Bessiere (Menjou) e Amy Jolly (Dietrich), uma cantora de boate que ruma de navio para o Marrocos. Durante a viagem eles se conhecem e o rico e sofisticado Monsieur La Bessiere, lhe oferece “ajuda” neste país estranho. Logo que chegam ao Marrocos, Amy arruma trabalho como cantora em um café, onde se mistura à elite e aos oficiais e soldados da Legião Estrangeira da França. Ao aparecer de fraque (espécie de terno) e cartola é vaiada por grande parte do público, mas assim que começa a cantar conquista a audiência. La Bessiere está totalmente seduzido pela presença de Amy, que, no entanto, escarnece dele, ao acariciar o cabelo e beijar brevemente uma mulher, na frente de todos. Na maior parte do filme, Dietrich exala androginia vestindo seu terno, e a tendência visual se tornou tão grande que chegou a influenciar, inclusive, Carmem Miranda, que adaptou a moda para o Brasil.

A beleza de Marlene Dietrich era controversa, justamente por ser andrógina. Enquanto alguns consideravam que seu rosto tinha sido feito para as luzes e as câmeras: maçãs do rosto altas, sobrancelhas arqueadas e olhos profundos que seduziam o público, outros dissertavam sobre seu comportamento não ser tão feminino quanto o de outras atrizes, como Marilyn Monroe e Bette Davis. Uma coisa, porém, era indiscutível: Dietrich, com sua presença forte, conseguiu destacar sua estética tão singular. 

Assim como as outras divas do cinema, Dietrich teve seu talento explorado num contexto de hiperssexualização, povoando, diretamente, o imaginário masculino. No entanto, a atriz não foi limitada apenas a isso, afinal Marlene foi um exemplo para as mulheres, que viam nela um exemplo de coragem e de personalidade, que chegou a desafiar até Hitler, afinal ela sempre se fazia notar nesta sociedade machista. Para se ter uma ideia, Marlene Dietrich foi uma das primeiras mulheres a usarem calças compridas em público e, por isso, até hoje é considerada um ícone fashion também. Mas é importante ressaltar que Dietrich não era apenas a sua imagem, cheia de autenticidade e sinceridade, visto que a cantora não guardava as palavras pra si, já tendo dito publicamente que Fritz Lang, diretor alemão que a dirigiu no filme “O Rancho das Paixões” (1952) era “absolutamente terrível”; e que von Sternberg estava “sempre dificultando a sua vida”. 

A atriz era bissexual e teve várias paixões durante a carreira, tanto com homens quanto com mulheres. Devido ao contexto lesbofóbico em que vivemos, apenas seus relacionamentos com homens ganharam destaque, tendo Ernest Hemingway, John Gilbert, Joseph Kennedy e Gary Cooper como seus amantes mais famosos. 

Falar sobre Marlene é pensar diretamente em sua figura transgressora, não só por suas vestimentas, mas também por seus comportamentos. Sua visão política incomodava seus fãs alemães durante o Terceiro Reich (denominação comum para a Alemanha entre 1933 e 1945, quando era controlada por Adolf Hitler), que, encantado, convidou a atriz para protagonizar filmes nazistas. Mas ela nunca teve medo de se posicionar, recusando o pedido e deixando o ditador ofendido. Com isso, a mesma optou por tornar-se uma cidadã americana, deixando os alemães ainda mais confusos sobre como deviam se sentir em relação à atriz, já que, por um lado, eles a viam como um grande ícone alemão, e por outro como uma traidora. Apesar das críticas, a atriz nunca se arrependeu da decisão de se opor aos nazistas e nem considerava que era preciso muita coragem para escolher um lado na guerra. 

A artista só abandonou os palcos aos 74 anos, após uma queda que resultou em uma fratura durante uma apresentação do seu “one woman show” (show de uma mulher só), na Austrália. Isso a fez tomar a decisão de não aparecer mais publicamente, levando-a a exilar-se em seu apartamento em Paris. Em 6 de maio de 1992, Dietrich morreu de insuficiência renal em seu apartamento em Paris, aos 90 anos.

A pequena Marie Magdalena Dietrich, aspirante a atriz e cantora, nunca seria capaz de imaginar o fenômeno que Marlene Dietrich se tornaria. Essa estrela foi capaz de moldar toda uma geração com sua força, sensualidade, autenticidade, dedicação e profissionalismo, conquistando seu espaço e garantindo uma eternidade ao seu nome.

Referências Bibliográficas: 

SAVINO, Fábio. “MARLENE” 2014. Disponível em: <https://www.bb.com.br/docs/portal/ccbb/Marlene.pdf> Acesso em: 15 jan. 2021. 

Autor desconhecido. “Marlene Dietrich: a Beleza andrógina que conquistou Hollywood”. Revista Rebel Circus. 2017. Disponível em: <https://www.beauty4all.com.br/marlene-dietrich-a-beleza-androgina-que-conquistou-hollywood/> . Acesso em: 15 jan. 2021. 

LEAL, Carla. “BIOGRAFIA DE MARLENE DIETRICH”. Revista Cinema Clássico. 2017 <https://cinemaclassico.com/biografias/biografia-de-marlene-dietrich/> Acesso em 15 jan. 2021. 

Autor desconhecido. “Morte de Marlene Dietrich, a grande diva alemã, completa 20 anos em maio” Revista GZH Geral. 2012. Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2012/05/morte-de-marlene-dietrich-a-grande-diva-alema -completa-20-anos-em-maio-3752905.html> Acesso em: 15 jan. 2021. 

LOURENÇO, Inês. “90 anos de O Anjo Azul: o pecado nas coxas nuas de Miss Dietrich”. Diário de Notícias. 2020. Disponível em: <https://www.dn.pt/cultura/90-anos-de-o-anjo-azul-o-pecado-nas-coxas-nuas-de-miss-dietrich–120164 01.html> Acesso em: acesso em 16 jan. 2021 SILVA, Karina. NAVARRO, Maria. ARAÚJO, Paulo. ‘O FAZER ARTÍSTICO FEMININO: CARMEN MIRANDA, SUA VIDA, SEU PALCO”. 2017. Disponível em: <https://periodicos.furg.br/hist/article/view/7209/5172> Acesso em: 17 jan. 2021.